Cristianismo e islamismo – perspectivas imediatas (parte I)

ATENÇÃO: Esta é uma série de estudos, por isso sugerimos que leiam esta série sequencialmente para que acompanhem o desenvolvimento do raciocínio que pretendemos levar aos nossos leitores. Você encontrará os links desta série ao final deste texto. Obrigado
Vários foram os motivos que nos levaram a escrever esta série de estudos, dentre os quais podemos destacar:

-1) a necessidade cultural de se conhecer melhor esta religião, que conta com adeptos em diversas nações e que é a segunda maior em número de fiéis, depois do cristianismo,

-2) Saber os motivos que levam a uma grande quantidade de jovens a se tornarem radicais, formando milícias armadas muito cruéis, que alimentam o ódio e levam vários destes a doar suas próprias vidas como homens-bomba e outros a degolar pessoas ocidentais e atear fogo em cristãos de alguns países africanos, segundo suas visões, em nome de Alá,

-3) Conhecer os motivos históricos que influenciaram o surgimento desta religião,

-4) Conhecer o lado radical e o tradicional desta religião,

-5) Conhecer, mediante leitura do Q’uran (Alcorão – القرآن), quais destes grupos estão ou não de acordo com os ensinamentos de Mohamed (Maomé), segundo quem, os recebeu de Alá, que é para os muçulmanos o mesmo Deus de Abraão, Isaque, Ismael, Noé, Moisés, dos profetas do primeiro testamento e também de Jesus, Deus este a quem chamamos Jeová,

-6) Como cristão convicto, conhecedor de que em Gálatas 1:8, 2º Coríntios 11:1-4 e Apocalipse 22:18-19 está ordenado que nenhum outro evangelho deva ser acrescentado ao que nos foi deixado por Jesus ou que qualquer profecia deva ser subtraída da Bíblia, tentar alcançar espiritualmente que tipo de ação espiritual inspirou Maomé,

-7) Situar na Bíblia em que situações tamanha obra espiritual tenha tido permissão de Deus para surgir,

-8)Vislumbrar pelos textos bíblicos e do Q’uran, como seria a aceitação do Reino Milenar de Cristo, cujos limites alcançam diversas nações islâmicas e etc.
Conta a tradição que no ano de 610 D.C, Maomé, um comerciante de Meca, na Península Arábica, atualmente situada no Reino da Arábia Saudita, recebeu um chamado de Deus para se retirar de seus afazeres e se dirigir a uma caverna no Monte Hira, onde recebeu a visita do anjo Gabriel, que lhe ordenou que recitasse versos enviados por Deus e lhe informou que ele seria o último profeta enviado por Deus à humanidade. Estes versos foram posteriormente redigidos e formaram o Alcorão. Resumidamente podemos dizer que o Alcorão é uma coletânea de bons conselhos para a vida coletiva e individual cotidiana, embora em alguns pontos, algumas passagens pareçam contraditórias para os cristãos e em outras frontalmente contrárias ao conceito trino de Jesus, que alicerça a nossa fé.

O Alcorão é um livro que possui uma forma literária muito semelhante à dos Salmos de Davi; foi escrito em 114 capítulos denominados Suratas, cada uma delas com um nome alusivo ao assunto tratado e estão divididas em versículos, sendo a 112ª surata, intitulada Al Ikhláss ( الإخلاص) ou Unicidade ou Fidelidade a menor e a segunda Al Bácara (البقرة)  ou A Vaca, com  286 a maior. A primeira Surata, chamada Al Fátiha (افتتاح) ou abertura diz assim: Em nome de Deus, o clemente, o misericordioso.Louvado seja Deus, o Senhor do universo, o Clemente, o Misericordioso, Soberano do Dia do Juízo. Só a Ti adoramos e só a Ti pedimos ajuda! Guia-nos à senda reta, à senda dos que agraciaste, não à dos abominados, nem à dos extraviados.” A segunda Surata, intitulada “A vaca” (ler no link deste blog: Al Bácara – A Vaca), trata-se de uma meditação (ou análise) crítica aos israelenses em relação à torá e aos profetas, da forma como se tornaram descendentes e portadores da fé e das bençãos dadas por Deus à Abraão, fala da vida de Saul, da luta entre Davi e Golias, das divergências entre judeus e cristãos, do que é ser um muçulmano, de recomendações (leis) civis, da relação matrimonial, etc.

A terceira Surata, chamada “A família de Imran” عائلة عمران, versa sobre João, marido de Maria, sobre a família do Pai de Maria, mãe de Jesus, de sua vida, do nascimento divinal de Cristo, reconhecendo-o como o messias, crendo em seus milagres, em sua ressurreição e ascensão ao céu, e nos versículos 59 e 60 está escrito: “O exemplo de Jesus, ante Deus, é idêntico ao de Adão, que Ele criou do pó, então lhe disse: Seja! e foi. Esta é a verdade emanada do teu Senhor. Não sejas, pois, dos que dela duvidam. 


              Na décima nona Surata, denominada Maria ماريا (link:  são abordados os nascimentos de Maria, João e Jesus, onde segundo o Alcorão, o anjo Gabriel testifica o nascimento de Jesus através Maria ainda virgem, refutando-o como filho de Deus, na forma literal da palavra, além de sua preexistência, a doutrina da Santíssima Trindade e  de Ser Ele o verbo Criador de Deus. O Alcorão vê Jesus tão somente como um grande profeta enviado por Deus, não obstante reafirmar seu nascimento sobrenatural, reafirma também que todos os profetas bíblicos foram inspirados por Deus. Neste link a seguir pode-se adquirir filmes muçulmanos em cd’s e conhecer a visão islâmica sobre Jesus, Maria, Abraão, José do Egito, além de Maomé e o aiatolá Khomeini (http://www.ibeipr.com.br/livros_mostra.php?pagina=1&id_categoria=79)

Nos versículos 18 ao 29 da 21ª Surata denominada “Os Profetas”  الأنبياء está escrito:

“18 Qual! Arremassamos  a verdade sobre a falsidade, o que a anula. Ei-la desvanecida. Ai de vós, pela falsidade que (Nos) descreveis!

19 Seu é tudo o que existe nos céus e na terra; e todos quanto se acham em Sua presença, não se ensoberbecem em adorá-Lo, nem se enfadam disso.

20 Glorificam-No noite e dia, e não ficam exaustos.

21 Ou (será que) adotaram divindades da terra, que podem ressuscitar os mortos?

22 Se houvessem na terra e nos céus outras divindades além de Deus (ambos) já se teriam desordenado. Glorificado se Deus, Senhor do Trono, de Tudo quanto Lhe atribuem!

23 Ele não poderá ser questionado quanto ao que faz; eles sim, serão interpelados.

24 Adotarão, porventura, outras divindades além D’Ele? Dize-lhes: Apresentai vossas provas! Eis aqui a Mensagem daqueles que estão comigo e a Mensagem daqueles que me precederam. Porém, a maioria deles não conhecem a verdade, e a desdenha.

                     25 Jamais enviamos mensageiro algum antes de ti, sem que antes tivéssemos revelado que: Não há outra divindade além de Mim. Adora-me, e Serve-me!

               26 E dizem: O Clemente teve um filho! Glorificado seja! Qual! São apenas servos veneráveis, esses a quem chamam de filhos,

27 Que jamais se antecipam a Ele no falar, e que agem sob Seu comando.

28 Ele conhece tanto o que há antes deles como o que há depois deles, e não podem interceder em favor de ninguém,  salvo de quem a Ele aprouver, são, ante Seu temor, a Ele reverentes.

                     29 E quem quer que seja,  entre eles que disser: Em verdade eu sou deus, junto a Ele! Condená-lo-emos ao inferno. Assim castigamos os iníquos.”


                       Não resta qualquer dúvida a quem são dirigidas estas palavras. Não são outras pessoas senão a liderança cristã dos séculos IV ao VII, que desde o ano de 325, em seu primeiro concílio em Nicéia, tem estabelecido dogmas que devem ser aceitos por todos os cristãos, e, neste caso, a doutrina da união hipostática de Cristo, que estabeleceu a doutrina de Cristo trino (Deus Pai, Filho e Espírito Santo). O Alcorão entende como uma heresia o conceito da Santíssima Trindade, afirmando que a mesma não encontra respaldo nem no novo como no velho testamento. Destacamos alguns trechos do Alcorão e textos bíblicos nos quais os muçulmanos se alicerçam para desmentir a doutrina da Santíssima Trindade, Ei-los:

Êxodo 20:1-3 “Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de Mim”. O versículo 5:72 do Alcorão diz: “De fato, descreem os que dizem, ‘Deus é o Messias, o filho de Maria’, enquanto o Messias disse: ‘Ó filhos de Israel, adorai a Deus, meu Senhor e vosso Senhor’. No Capítulo 4:171 do Alcorão diz: “Ó povo do Livro (judeus e cristãos)! Não vos excedais nos limites de vossa religião, e não digais de Deus senão a verdade. O Messias, Jesus, filho de Maria, foi apenas um Mensageiro de Deus, e Seu Verbo, que Ele concedeu à Maria, e um espírito vindo Dele. Então crede em Deus e em seus mensageiros e não digais: ‘Deus é uma Trindade.’ Abstende-vos de dizê-lo; é melhor para vós. Porque Deus apenas é o Deus Único. Longe de Sua glória que Ele teria um filho. A Ele pertence tudo o que está nos céus e na terra. E Deus é suficiente como guardião.” No capítulo 19:93 do Alcorão diz: “Sabei que tudo quanto existe no céu e na terra comparecerá, como servo, ante o Misericordioso.”. Por fim os muçulmanos interpretam a passagem do Livro de João 14:16-17, como uma profecia de Jesus quanto à vinda de Maomé; assim está escrito: “E eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro consolador, para que fique convosco para sempre. O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós O conheceis, porque habita convosco, e estará em vós.”

                         Jesus, Maria e os profetas bíblicos são citados em diversos outros livros do Alcorão, contudo, estes pontos que enumeramos acima são suficientes para elaborarmos o raciocínio que pretendemos nesta série de estudos, assim adentraremos com ousadia e intrepidez ao cerne desta questão, tão delicada tanto para os cristão quanto para os muçulmanos. Não será tarefa fácil, mas nem por isso tendenciosa e desprovida de lógica, razão, sentido, exegese e hermenêutica. Para tal fim, visando não proporcionar aos nossos leitores uma leitura enfadonha, a dividiremos em partes, sendo esta introdução a primeira parte.

Deus é Grande! Seja Ele louvado nos céus e na terra!
Por Nelsomar Correa, em 29 de setembro de 2014.

Enriqueça sua leitura lendo outros estudos desta série nos links a seguir:
Cristianismo e Islamismo – perspectivas imediatas (Parte II)

Cristianismo e Islamismo – perspectivas imediatas (parte III)

Cristianismo e Islamismo – perspectivas imediatas (parte IV)

Cristianismo e Islamismo – perspectivas imediatas (parte V)

Cristianismo e Islamismo – perspectivas imediatas (parte VI)

Cristianismo e Islamismo – perspectivas imediatas (parte VII)

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