Cristianismo e islamismo – perspectivas imediatas (Parte II)

          ATENÇÃO: Esta é uma série de estudos, por isso sugerimos que leiam esta série sequencialmente para que acompanhem o desenvolvimento do raciocínio que pretendemos levar aos nossos leitores. Você encontrará os links desta série ao final deste texto. Obrigado


           Dando sequência à nossa série de estudos sobre a visão recíproca entre cristianismo e islamismo, iremos neste texto abordar o tópico 1, de um rol citado na parte I desta série, que versa sobre a necessidade dos cristãos em conhecer melhor a religião muçulmana, tendo por fim não criar um falso imaginário, decorrente de informações distorcidas ou inadequadas da realidade, fato este que, segundo nosso entendimento tem sido a causa da aversão recíproca existente entre alas radicais de ambos os lados, que pela falta de informações concisas e verdadeiras, pregam o ódio, a aversão, o preconceito e a intolerância, sentimentos estes que certamente não tem o acolhimento do Único e Verdadeiro Deus, em Quem confiam os fiéis destas duas grandes religiões monoteístas.

Leia no link a seguir a visão muçulmana sobre o diálogo com os cristãos: diálogo entre cristãos e muçulmanos

        Confesso que a partir do momento em que me detive nesta tarefa de conhecer melhor os fundamentos da religião muçulmana, percebi que minhas opiniões e conhecimento eram bastante insipientes e incipientes; que muitos dos meus conceitos estavam gravemente distorcidos. Por este motivo, tendo por meta a missão que a mim foi confiada por Deus, contra a qual não cabe a mortal algum transigir, com exceção daquele que emergirá do abismo, venho com o espírito sereno e consciente, levar tanto aos nossos irmãos cristãos quanto aos nossos “primos” muçulmanos, mediante as premissas do respeito recíproco, o qual é agradável ao Deus Único e Criador e Mantenedor de toda a existência, que ambas as religiões adoram, as diferenças conceituais infelizmente existentes entre ambas, com o cuidado de trazer à razão as alegações que ambas as partes defendem, usando para isso seus próprios Livros Sagrados.

       Certamente nenhuma pessoa sensata pode discordar que a existência da religião muçulmana, que agrega milhões de fiéis nos quatro cantos do planeta é um fato que não pode ser relegado a um plano secundário nestes últimos tempos, onde cremos que se concretizará “O Grande Dia do Senhor”, fato este esperado pelos fiéis cristãos, judeus e muçulmanos, desta forma, cremos ser de grande urgência abordarmos as perspectivas imediatas concernentes à chegada deste tão esperado dia (Veja o texto: Vivendo o Reino Milenar de Cristo). 

      Cremos que diante do atual estágio do desenvolvimento científico, tecnológico, cultural e social das sociedades contemporâneas sobre a terra, não há motivos para não tratarmos de qualquer assunto de forma pacífica, respeitosa, serena e racional, qualidades estas que com absoluta certeza encontram milhões de adeptos entre os cristãos e muçulmanos e também entre os judeus, com os quais trataremos numa série de estudos à parte.

            Segundo relatos bíblicos Abraão אברהם (Pai de muitos povos) nasceu na terra de Ur, uma importante cidade-estado da antiga Suméria e da Caldeia e atualmente uma localidade  próxima à cidade de Tell el-Muqayyar, na margem direita do Rio Eufrates, à 35 quilômetros da confluência dos rios Tigre e Eufrates e cerca de 135 quilômetros ao norte Golfo Pérsico, no atual Estado do Iraque. 

Confluência entre os rios Tigre e Eufrates, nas proximidades de Ur.

                    Após ter recebido a ordem divina para deixar sua parentela em Ur dos Caldeus e partir para a terra prometida, Abraão peregrinou por dezenas de anos até chegar à Canaã. À sudoeste de Ur se localizava o temível deserto Arábico, então, certamente por orientação divina Abraão toma rumo noroeste, entre terras localizadas entre os rios Tigre e Eufrates, que proporcionariam à sua comitiva a segurança de que não correriam o risco de se embrenharem em terras desérticas. Tendo armado acampamentos em diversas localidades da Caldeia e da Babilônia, Abraão e seu povo chega à Nínive, a capital da Assíria, onde também fazem um período de descanso, seguindo após para Haram, onde estabelecem habitações por um tempo razoavelmente longo. No livro apócrifo dos Jubileus diz que já aos catorze anos de idade Abraão pedia à Deus que não se contaminasse com a idolatria de seu pai Tera. Abraão tinha pouco mais de cinquenta anos quando partiu de Ur, porém com ele também foi seu pai idólatra até Harã, onde este morreu aos duzentos e cinco anos (Gênesis 11:31-32). Embora Abraão tivesse recebido o chamado de Deus ainda em Ur, somente em Harã decide separar-se de sua parentela e entrar em Canaã quando já contava com cerca de setenta e cinco anos, tendo seu pai vivido em Harã cerca de sessenta anos após sua partida, embora em Atos 7:2-4 afirmar que havia partido após a morte de seu pai, porém esta informação não condiz com a data de nascimento de Tera e a idade com que morreu e a idade de setenta e cinco anos que Abraão partiu de Harã. Abraão segue com seu povo a destino de Siquém, onde Deus novamente lhe aparece no carvalho de Moré e lhe mostra a terra que lhe dera por herança (Gênesis 12:4-8). 

A jornada de Abraão de Ur até Betel, em Canaã.

      

             Abraão segue de Siquém para Betel, onde ergue um altar à Deus algum tempo depois desce até o Egito devido à fome que  se abatia sobre a terra. Naquela época o Egito era como um refúgio em tempos de escassez de víveres, pois tinha uma sociedade mais organizada do ponto de vista político e cultural. Após passar alguns anos no Egito Abraão havia prosperado muito e retorna à Betel com muitos bens assim como Ló que o seguia desde Ur, porém o local não era suficiente para o manejo de todos os animais e servos que ambos tinham e decidem separar-se. Abraão passa a tomar posse definitiva das terras que Deus lhe prometera e se torna respeitado entre os reis, vence batalhas contra nações, contudo ainda não tinha filhos que pudessem gerar a grande descendência que tinha como promessa e com isso precipitadamente ele e Sarai, sua esposa que não engravidara, resolvem tomar a serva Agar como mulher que lhe pudesse dar um filho e dela nasce Ismael, a quem Deus promete doze príncipes e uma grande herança (Gênesis 17:20), contudo sua aliança se dará com o filho de Sara.

              Este breve relato da vida de Abraão é de suma importância para que tenhamos uma nítida compreensão do que atualmente ocorre no oriente médio dos dias atuais, pois em nenhuma outra região do planeta terra existem tantos conflitos ideológicos, religiosos, territoriais e étnicos como nesta região, mundialmente conhecida como o “barril de pólvora”.

               Devemos ter muita prudência ao analisarmos todas estas questões existentes no oriente médio, pois estas resvalam diretamente sobre todos os cristãos e por conseguinte em todas as promessas passadas e futuras para esta região, frutos da vontade soberana de Deus, o Deus de Adão, Noé, Abraão, Moisés, Davi, Jesus, o mesmo Deus em quem também afirmam crer os muçulmanos. Tão importante como ter um embasamento literal e conciso da Bíblia, livro que os muçulmanos afirmam cumprir melhor que os judeus e os cristãos, é também termos um embasamento fidedigno de diversos versículos do Alcorão, que contrariam frontalmente às Escrituras Sagradas, em cujas profecias e promessas se baseia a fé cristã e judaica.

                Uma questão relevante apontada pelos muçulmanos e que ainda hoje causa distensões entre judeus e muçulmanos e consequentemente atingem os cristãos, diz respeito com que descendência de fato Deus firma aliança, se com a de Ismael, o primogênito filho de Abraão com a serva Agar ou com a de Isaque, o filho legítimo de Sara, sua legítima esposa? O costume na antiguidade era de que o primogênito seria o sucessor do pai, contudo, como dissemos acima, uma precipitação de Sara e de Abraão fez surgir este gigantesco problema, que hoje, cerca de quatro mil anos depois, temos por resolver, de forma sensata e respeitosa entre estas três grandes religiões abraâmicas.

              Tão próximas e tão distantes são as divergências que estas começam pelos próprios calendários que seguem, sendo que cada um destes povos tem o seu. Dando sequência ao assunto do parágrafo anterior temos que estas diferenças tomam corpo quando se transformam em rituais e festas sagradas, como é o caso da “Festa do Sacrifício”, Eid al-Adha عيد الأضحى , que os muçulmanos celebram logo após o Hajj, que é a peregrinação anual a Meca. Na Festa do Sacrifício os muçulmanos comemoram o sacrifício de Abraão a seu filho Ismael, sim, o Alcorão ensina que Abraão recebeu a ordem de Deus para sacrificar a Ismael, enquanto que a Bíblia diz em Gênesis 22:1-18 que era Isaque que seria sacrificado. A grande pergunta aqui é: em que se fundamenta o Alcorão para trazer esta afirmação? 

             Embora pareça uma afirmação sem maiores consequências práticas, sem entrarmos no mérito da questão, este entendimento cria uma sequência de fatos que nos permitem afirmar que aqueles que abraçam a fé islâmica se vêem como os descendentes de Ismael, ainda que Maomé não descenda deste. Uma vez que este entendimento islâmico não tem respaldo bíblico, somos levados a crer que tal informação tenha sido repassada empiricamente através das gerações. Ora teria então Abraão sido provado em sua fé por duas vezes e da mesma forma, com o sacrifício de seus dois filhos? Faria isso algum sentido ou Abraão não fora aprovado na primeira prova? A pergunta que resta deste dilema então é: Deus, de fato, ordenou a Abraão que sacrificasse seu filho Ismael? Se considerássemos que Ismael não é fruto da promessa feita a Sara e Abraão mas sim da precipitação de ambos, seria lógico imaginar então que Deus pudesse ter pedido a Abraão que sacrificasse a Ismael, devido a este deslize do casal, porém não é isso que está escrito na Bíblia. 

         A Bíblia relata que após o nascimento de Ismael, Abraão passou a dar à Agar maior atenção que à Sara e isto gerou um conflito que se ampliou após o nascimento de Isaque, pois Ismael passou a afrontá-loo que incitou Sara a pedir a Abraão que expulsasse Agar e Ismael da comunidade. Abraão os despede com mantimentos, mas logo estes acabam e Ismael clama ao Senhor por socorro, e Deus faz surgir uma fonte de água e promete que dele nasceria uma grande nação e os conduz pelo deserto, onde habitam e prosperam em Parã. O sacrifício de Isaque se dá após a separação de Agar e Ismael do convívio de Abraão e após Deus ter mudado o seu nome.

      Nesta segunda parte desta série de estudos quisemos encaminhar as discussões, de forma a termos condições de responder as seguintes questões: a) Não é o Islã a grande nação prometida por Deus à Ismael? O que gerou legalidade divina para que surgisse o Islã? O que gerou legalidade divina para surgir o cristianismo? O que está preparado para os judeus nestes tempos do fim em que já vivemos? 

          Convido você a ler esta série de estudos de suma importância para os dias atuais.

           Por Nelsomar Correa em 09.10.2010

           Enriqueça sua leitura lendo outros estudos desta série nestes links:

 Cristianismo e Islamismo – perspectivas imediatas (parte I)

  Cristianismo e Islamismo – perspectivas imediatas (parte III)

 Cristianismo e Islamismo – perspectivas imediatas (parte IV)

 Cristianismo e Islamismo – perspectivas imediatas (parte V)

 Cristianismo e Islamismo – perspectivas imediatas (parte VI)

 Cristianismo e Islamismo – perspectivas imediatas (parte VII)

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